O futuro segundo... Orkut

Será que alguém realmente lê as bobagens que aparecem como “sorte de hoje” no orkut? Tá bom... antes que alguém me delate, eu vou poupar o trabalho... Eu leio!! Assumo!!

Confesso que as últimas tem sido um tanto inusitadas, primeiro foi “você será o líder de uma comunidade”, seguido por “você vai ganhar roupas novas” e “você nunca mais terá que se preocupar com estabilidade financeira em sua vida”. Eu realmente parei e fiquei pensando em que situação estas três coisas podiam se encaixar... e descobri: provavelmente eu serei preso... e sentenciado à prisão perpétua, pois tenho certeza que os presos sentenciados à prisão perpétua devem ser provavelmente os únicos seres humanos que não precisam se preocupar com sua estabilidade financeira... É claro que se eu for preso eu vou ter que ganhar roupas novas...o que me preocupa muito, pois sei que não fico bem de listras...

De qualquer jeito eu fiquei ainda intrigado com a última das “profecias”: “você será o líder de uma comunidade”. Esta “sorte” apareceu logo depois de pérolas como “você resolve com facilidade os problemas mais difíceis” ou “você é destemido e enfrenta de frente o pior dos desafios”... Eu fiquei pensando e cheguei à conclusão que eu provavelmente vou virar dono do pedaço... já me vejo traficando cigarros (logística sempre foi meu forte..) e galgando rapidamente a hierarquia na prisão...

Pronto! Este é o meu futuro: destemido líder da comunidade penitenciária, de roupas novas e sem nenhuma preocupação com minha estabilidade financeira... Quem diria que nestas “sortes” do orkut poderia existir tanta sabedoria?

A sorte de hoje foi “Agora é a hora de tentar inovar”. Não poderia ser mais assertivo... Mas esta é uma outra história, que tem muito a ver com o meu momento atual.

Frase da Semana

O ser humano é feito de besteirinhas...

Marisa Monte

No último domingo eu assisti o show de Marisa Monte no Tom Brasil. Foi uma aula de competência e profissionalismo. A começar por onde deve-se começar: o início. O show, marcado para às 19:00, foi iniciado às 19:04. Uma raridade nestes dias de hoje de muitos atrasos. Foi o público entretanto, acostumado a todos estes atrasos, que não cumpriu sua parte e foi chegando e se acomodando ao longo das primeiras músicas do show.

A primeira música foi tocada inteiramente no escuro, Marisa e sua banda escondidos nas sombras. Nos acordes finais da música, feixes de luz iluminam apenas o rosto de Marisa. Uma imagem bonita, poética, de uma beleza que se aproxima de uma divindade renascentista. Para a segunda música as luzes se acendem e aí o público faz feio. Impossibilitados de encontrar seu lugar na escuridão da primeira música, centenas de pessoas começam a procurar desordenadamente seus lugares. A cena chega a ser inacreditável: um mar de cabeças espalhando-se desordenadamente pelo mar de mesas. Durante todo o show Marisa e sua banda fazem um show que provoca um verdadeiro deleite auditivo, tantas são as sonoridades, os instrumentos. Tudo isto sem nenhum exagero estético: apenas um palco, uma cantora, uma banda e uma iluminação excelente. O brilho foi dado às verdadeiras estrelas do show: as músicas. E que músicas!! As melhores dos dois novos trabalhos, as melhores dos discos anteriores e as melhores dos Tribalistas. Não precisa de mais nada. Excelente.

O Coelho

Era uma vez um coelho. O coelho era livre e tinha toda a floresta como seu habitat. O coelho corria veloz de uma lugar para outro, banhava-se cada vez em um lago diferente, alimentava-se em uma vegetação nova e conhecia diferentes animais da floresta. O coelho vivia intensamente cada dia, cheio de realizações únicas. Para o coelho, o Hoje era sempre diferente do Ontem e do Amanhã, e o Amanhã era repleto de infinitas possibilidades.

Era uma manhã de primavera e o coelho saltitava despreocupado. Ao dar um salto um pouco maior ele caiu em um buraco fundo. Ao se recuperar da queda, o coelho começou a explorar o buraco e descobriu, maravilhado, um universo de coisas novas e belas. Flores e folhas que nunca tinha visto, pequenas frutas que nunca havia provado, pedras e cristais de um brilho nunca antes percebido, cores com as quais nunca antes havia sonhado. O coelho provava uma felicidade única.

Com o passar do tempo o coelho começou a sentir uma pequena inquietação. O coelho demorou um pouco a entender de onde vinha este sentimento. O coelho olhava para um pequena queda de água que tinha na parede norte do buraco e lembrava de uma cachoeira majestosa que existia na floresta. O coelho adorava ficar às margens da cachoeira acompanhando o nascer do sol, encantado com o barulho das águas, com o arco íris que se formava com o primeiro raio de sol e com o sentimento de integração à natureza que sentia quando sua pele era lentamente aquecida pelo sol. O coelho olhava para um pequeno arbusto que existia no buraco e recordava os tempos em que passeava por entre árvores gigantescas que subiam até onde a vista alcançava. O coelho começou então a se ressentir daquele buraco, a querer sair dali. Passou a não dar valor às inúmeras coisas bonitas que existiam no buraco, passou a pensar apenas em como sentia falta das coisas que estavam do lado de fora. O coelho foi lentamente perdendo a sua alegria e a sua vivacidade, tornou-se rancoroso e melancólico. Era acometido por pesadelos em que aquele buraco se tornava cada vez menor e mais sufocante, que todas as cores tornavam-se cinza, que as fontes de água que existiam no buraco secavam e deixavam tudo árido e triste. Nada era mais como antes, nada tinha graça.

Um dia o coelho percebeu que, em um determinado local do buraco, onde existia uma grande planta cheia de espinhos, ele poderia achar uma alternativa para escapar. O coelho olhou para a planta, analisou-a de todas as maneiras possíveis e conseguiu concluir que realmente ele poderia galgar aquela planta e sair do buraco. Entretanto, o esforço que iria empreender para subir seria enorme e a dor que sentiria ao passar por todos aqueles espinhos seria intensa. Um estranho sentimento de paz e tranqüilidade se apoderou do coelho. Ele começou a lembrar de tudo aquilo que existia no mundo exterior e de que ele sentia falta. O coelho passou alguns dias planejando o melhor caminho a ser percorrido até decidir que estava pronto para sair dali.

Era uma manhã de primavera, uma manhã muito parecida com aquela em que o coelho tinha caído no buraco. O coelho acordou e olhou com cuidado para o buraco e para todas as coisas que ele amava e que ficariam lá. Um sentimento de tristeza tomou conta dele. Ele olhou também para o caminho cheio de espinhos e antecipou toda a dor que sentiria ao subir aquele caminho. Por outro lado, ele ponderou a possibilidade de sua liberdade, de seguir seu caminho, qualquer que seja este caminho, pensou na possibilidade de voltar a correr livre e  buscar sua felicidade por toda a floresta. Um sentimento de paz se apoderou do coelho, um misto de saudade e expectativa. O coelho deu uma última olhada para o buraco, mirou o alto do caminho de espinhos e, decidido, colocou a pata direita sobre o primeiro espinho e começou sua jornada rumo à liberdade. Fixando com determinação o final do caminho de espinhos, o coelho colocou a segunda pata sobre os espinhos. Seus olhos brilhavam, o brilho das lágrimas e da esperança.

Esta história ainda não terminou. Estou torcendo pelo coelho... Pelos dois...

Este período do ano é sempre um bom momento para olhar para trás e ver os erros e os acertos do ano que passou. Também é o melhor momento para olhar para a frente e planejar tudo aquilo que pretendemos fazer, todos os objetivos que ainda estão por serem alcançados.

 

Mas aqui e agora eu quero olhar um pouco para o ano que passou... e deixar minha listinha do que eu vi de melhor (e pior) no teatro em 2007:

 

O melhor:

 

17 X Nelson

Bent

Camaradagem

Dúvida

R&J

Sete Conto

A Vida na Praça Roosevelt

 

O pior:

 

Cats

Não ter assistido um monte de peças boas (BR-3, Um Homem é um Homem, Pedra do Reino, Inocência, entre outras)

M.P.B. Rules!!

Eu nunca fui um grande fã dos grandes artistas da música brasileira. Confesso que isso é (ou era...) uma falha considerável. Só existia uma simples razão para isso: não ter um maior contato com a discografia brasileira dos anos 50, 60 e 70 (por que dos 80 para cá eu conheço...rsrsrsrs). Aos poucos eu vou preenchendo uma lacuna, e começo a conhecer o trabalho destes artistas.

No mês passado eu fui ao show do Chico Buarque e fiquei impressionado com o talento, com o carisma, com a força que ele tem para preencher o palco sendo tão simples, tão econômico em gestos, em movimentos, sem nenhuma super produção. O público se deleita com um simples meio-sorriso, com um leve arquear de sobrancelha... É impressionante ver o poder de um grande artista, um simples homem, um tanto frágil, mas que vale mais por super-efeitos cênicos, pirotécnicos ou coreográficos. Bravo!!

Nas últimas semanas foi a vez de Maria Bethânia. Eu sempre tive amigos que apresentavam verdadeira idolatria por ela, mas eu nunca tinha dado a devida atenção. Entretanto, de uns tempos para cá, comecei a ouvir o trabalho dela e passei a gostar cada vez mais. Anteontem, em um superlotado Tom Brasil, veio a constatação: Maria Bethânia é perfeita. A simplicidade, o êxtase por estar no palco (que rapidamente contagia todos), a força de suas canções e dos poemas que ela recita (nunca um poema de 1917 foi tão atual...), a grandeza de sua banda, enfim, tudo foi um verdadeiro espetáculo.

Terminei perdendo o show do New Order, mas não se pode ver tudo... Sábado tem Zélia Duncan e amigos.

Êba!

O primeiro ano do resto de nossas vidas

“O Primeiro Ano do Resto de Nossas Vidas” foi um dos meus filmes favoritos durante a adolescência. Em primeiro lugar pelo elenco estelar: Emilio Estevez, Rob Lowe, Andrew McCarthy, Judd Nelson, Mare Winningham, Andie MacDowell, Ally Sheedy e Demi Moore. Era uma reunião dos jovens atores de maior sucesso do meio dos anos 80. Hoje todos (exceção, claro, de Demi Moore) estão em menor ou maior grau de esquecimento. Em segundo lugar pela história, que mostrava as angústias de jovens recém saídos da faculdade e que se deparavam com as incertezas que iriam permear todo o resto das vidas deles. O filme não era nenhuma maravilha e com certeza não envelheceu bem, mas é um filme que é muito importante ao ter conseguido (como poucos) registrar a juventude yuppie do meio dos anos 80.

Fazia muito tempo que eu não lembrava deste filme. E a lembrança surgiu porque hoje eu completo o primeiro ano do resto da minha vida...

Hoje completa um ano que tudo começou. Foi um ano maravilhoso, e o primeiro de muitos ainda por vir.

Mudei muito neste ano e ainda tenho algumas coisas para mudar. Sei que estou no caminho e sei que posso. Isso faz toda a diferença.

Não tenho o hábito de assinar os posts, mas hoje eu não resisto. Aproveito para pegar emprestada uma assinatura...

 

(com muito) Lv.

 

 

Post atrasado

Este é um post de um mês atrás, que terminou ficando esquecido e não foi postado quando foi escrito...

Estou em uma fase cultural bacana, vendo um bom número de peças e de shows.

Dos últimos que assisti fica um registro positivo para o show da Simone e da Zélia Duncan no Tom Brasil, no sábado passado (dia 12). Foi muito bom ver duas presenças tão fortes no palco, com muita energia. As duas se mostraram mestras em controlar uma platéia enlouquecida, composta por fãs fiéis (a grande maioria) e por marinheiros de primeira viagem (como eu). Terminado o show só posso dizer que as duas ganharam mais um fã.

O registro negativo fica por conta do super comentado “Cats”. Talvez eu estivesse esperando demais, mas o fato é que Cats ficou muito abaixo das minhas expectativas e a impressão ao sair do Credicard Hall foi de completa perplexidade...

É claro que nada pode ser tão ruim, ainda mais quando estamos falando de um show que ficou anos em cartaz, que já foi apresentado em inúmeros países, que acumula prêmios Tony´s, milhares de apresentações e milhões de dólares.

Logo ao entrar no Credicard Hall já era possível perceber o cenário, que não estava escondido e podia ser admirado com calma antes do início do show. Belíssimo, é o mínimo que se pode dizer do cenário, um dos pontos fortes do show.

Este é um show em que a imagem realmente é tudo. O belo cenário, aliado à uma ótima iluminação e a um impressionante figurino resultaram em imagens fortes e belas, um show de cores de encher os olhos.

O elenco também é muito bom. Impressionante e virtuoso. Cantam e dançam com técnica, vigor e sentimento.

E é neste momento que os pontos positivos acabam... e que começam os defeitos...

Antes, cabe um esclarecimento: sou um apreciador de musicais, não sou daqueles que tem pesadelos quando alguém começa a cantar no meio de um diálogo. Muito pelo contrário: acho que a música e a dança podem contribuir muito a serviço de uma história.

E é justamente aí que reside o problema... Cats não tem uma história!! Os atores-gatos rodopiam de um lado para outro sem objetivo, tudo parece caminhar para lugar nenhum, as músicas se alternam em uma sucessão infinita de gatos se apresentando e eu fiquei me perguntando as razões...

Tentem trocar a ordem das canções! Tirando uma ou outra música, não vai fazer nenhuma diferença! A peça pode ser montada de trás para frente que ninguém perceberá maiores diferenças, mesmo porque ela continuará sem história!

Tentem procurar algo que resuma a história de Cats: vocês vão ler coisas como “a gata Grizabella canta Memory”, “uma noite especial na vida dos gatos Jellicle” ou “os gatos se reúnem para definir quem poderá renascer para uma nova vida Jellicle”. Tudo é muito vago, muito impreciso, pois é difícil resumir em uma frase a história, porque, apesar do espetáculo durar duas horas, não existe uma história...

Ficamos duas horas para entender como tratar bem os gatos? Não consegui entender nem esta mensagem... Acho sinceramente que cinco minutos de peça e mais 30 segundos de mensagem institucional da Whiskas (a patrocinadora da peça) já seriam suficientes para ensinar a muitos como tornarem os gatos mais felizes.

Além disso, o espetáculo também envelheceu mal em alguns outros aspectos. A coreografia parece mecânica e robotizada em diversos momentos. Ressurgiram na minha cabeça (em diversas ocasiões) as imagens das coreografias do meio dos anos 80: alguns movimentos de break, alguns movimentos de aeróbica... Por alguns momentos eu jurei ter visto Olívia Newton John de collant de ginástica entre os Jellicle Cats. Tudo era muito datado e sem a força que possui qualquer coreografia que se baseie (por exemplo) em Fosse.

A orquestra também me deu alguns calafrios, surgiam esporadicamente alguns ecos de um progressivo mal feito, misturado com um rock/pop que não sabe a que veio.

Era interessante ver as pessoas indo embora nos intervalos entre o primeiro e o segundo ato...

Se ficou uma lição de tudo isso? Claro que ficou! Como diria o Public Enemy: Don´t Believe the Hype

Antes tarde...

Hoje eu volto para a faculdade. Comecei este curso há bastante tempo e o prazer indescritível que tenho de cursá-lo fez com que eu optasse em me matricular em doses homeopáticas...

No segundo semestre de 2005 eu me matriculei em uma matéria...

Foi demais para mim e resolvi me dar férias no primeiro semestre de 2006...

Hoje as férias acabam... matriculado em três matérias eu espero ser capaz de suportar as três noites por semana que eu passarei na faculdade. O lado positivo é que eu finalmente parei para analisar todas as matérias que eu já fiz e ver as que faltam e descobri que dá para me formar em dezembro de 2007... o lado negativo é que eu vou perder a carteirinha de estudante...

Sampa é cultura

 

São Paulo é uma cidade fascinante. Tem programa para todos os gostos e para todas as tribos. Querer acompanhar a vida cultural é impossível. Toda sexta-feira eu leio as programações culturais dos jornais e percebo entristecido os filmes, peças e exposições que saíram de cartaz (ou que estão prestes a sair...) e que eu não consegui ver. Queria que o dia tivesse 48 horas e que a semana tivesse 10 ou 12 dias...

Semana passada eu assisti “Marília Pêra Canta Carmem Miranda”. Fico impressionado com a versatilidade e com a técnica dela. Assisti-la é sempre uma aula de teatro.

Já este final de semana foi de frio e muita chuva. Nessas horas dá uma preguiça enorme de ficar na rua e o melhor programa é ir à locadora, pegar alguns filmes e passar a tarde jogado no sofá.

O tempo ruim deste final de semana me fez lembrar da época em que eu tinha uns 9 ou 10 anos e que adorava as tardes chuvosas em que eu voltava da escola e ficava debaixo das cobertas assistindo Sessão da Tarde. Claro que isso não dourava muito, pois conforme a paixão por cinema aumentava os filmes da Sessão da Tarde passavam a ser insuficientes, pois ou já tinham sido vistos ou pareciam ser ruins demais e não justificavam um pouco mais de atenção.

Durante este meu “Sessão da Tarde revival” assisti “The Producers” comédia musical que eu estava super a fim de ver nos cinemas mas que terminei perdendo. Terminado o filme, eu fiquei tentando entender como aquilo que tinha tudo para dar tão certo, conseguiu sair tão errado... Só vale pela Uma Thurman, engraçada em um papel de uma sueca que resolve tentar a sorte na Broadway. Uma boa surpresa foi  "A Chave Mestra" ("The Skeleton Key"), um suspense interessante, do qual eu não esperava nada, mas que terminou surpreendendo, em especial em função do final um tanto inesperado (o típico final de filme que eu gosto). Tem a boa participação da Kate Hudson e os sempre ótimos Gena Rowlands e John Hurt.

 

Carros - Não " O Filme", e sim "A Vida Real"

Hoje cedo fui surpreendido por um fato extremamente peculiar: o pneu traseiro direito do meu carro estava totalmente murcho... vazio... arriado...

Confesso que não sou dessas pessoas que acorda e vai verificar se o seu carro passou bem a noite, se está tudo correto e na mais perfeita ordem.  Carro para mim é apenas um meio de transporte, não tenho afeição, nem um carinho especial, nem nada remotamente parecido. Tudo o que eu espero de um carro é que ele funcione sempre. Todo o tempo que eu planejo gastar com ele é o tempo de levá-lo para abastecer. Mais tempo do que isso já me parece exagero.

Tenho amigos que idolatram os seus veículos, cuidam mais deles do que cuidam de si próprios. Não é bem o meu caso... Meu carro anterior, um Gol que foi meu companheiro por 8 anos, sofreu na minha mão em decorrência da falta de cuidados e de manutenção. Foram dois pneus que explodiram (de tanto ficarem desalinhados e desbalanceados), um reservatório de água rachado que quase fundiu o motor, um câmbio estourado, toda a fiação elétrica do acendedor de cigarros pegando fogo e quase me asfixiando com aquela fumaça preta, velas de ignição danificadas até impedirem o carro de funcionar, e etc. e etc. e etc...

Por isso tudo é que, hoje cedo, nunca me passaria pela cabeça verificar os pneus antes de sair dirigindo pela cidade. Mas é claro que paga-se um preço por isso: depois de dois minutos dirigindo, fica impossível não perceber que alguma coisa está errada... um barulho estranho... o veículo não responde como deveria... A irritação por ter que parar é enorme, mas não dá mais para protelar. Paro em um posto bem chinfrim, encosto o carro junto a bomba de calibração, desenrolo a mangueira, tiro o protetor de borracha, coloco a mangueira, regulo a pressão que eu quero e pronto, falta apenas o ar começar a encher o pneu vazio... e é aí que reside o problema... nada de ar enchendo o pneu vazio! Volto até a bomba, aperto todos os botões e nada. Presto particular atenção no botão “pneu vazio”, que aperto, uma, duas, três vezes, aperto e mantenho pressionado e nada! Procuro ajuda, mas todos os atendentes estão correndo desesperadamente de um lado para o outro e me dizem que já vão me atender, mas, por alguma estranha razão, eu sinto que eles não vão me atender, já que eu não pretendo pagar por uma simples dica. Começo a considerar seriamente qual valor devo oferecer para conseguir arrastar um dos atendentes até a bomba de calibração, quando um senhor se aproxima e pergunta se estou com alguma dificuldade. Explico a questão e ele menciona, com tranqüilidade, que devo apertar e manter pressionado o botão “pneu vazio” por 5 segundos. Mas é claro!!! Como eu não havia pensado nisso? Entre todas as combinações possíveis de botões apertados, eu tinha apertado este botão por 3 segundos, mas 5 segundos? Isto não tinha passado pela minha cabeça...

Saio do posto de gasolina feliz com o conhecimento adquirido... e torcendo para não precisar lembrar dele tão cedo...

Primeiro Post

Escrever sempre foi um prazer para mim. Eu sempre fui uma criança que andava com um papelzinho amarrotado nas mãos para transcrever idéias e observações sobre o mundo. Na adolescência não foi diferente: instigado por professores brilhantes durante o Colegial, passei a escrever mais e mais.

 

As coisas mudaram com a Faculdade: o curso de Engenharia Civil na Escola Politécnica da Universidade de São Paulo, um celeiro de “geniozinhos” que viam o mundo como uma equação matemática. Foi neste momento em que perdi o prazer (ou teria sido a inspiração?) de escrever.

 

Conforme eu prosseguia pela Faculdade e posteriormente, ao ingressar no mercado de trabalho, eu era acometido por súbitos desejos de voltar a escrever. Estes lampejos, entretanto, nunca eram duradouros ou significativos.

 

É difícil precisar o momento em que isto mudou. Se eu pudesse arriscar, diria que foi quando comecei a fazer Teatro, há três anos e meio. O contato com textos incríveis, as discussões humanistas nas aulas e a oportunidade de assistir a montagens teatrais excelentes fizeram com que meu lado dormente voltasse a despertar. O Teatro criou esta chama e fez com que ela ardesse fortemente. Reascendeu o meu impulso criativo e usufruiu integralmente dele. Dediquei-me de corpo e alma ao Teatro. Foram, ao longo destes três anos e meio, oito montagens teatrais, com muitas histórias, muitas amizades, muitas alegrias e algumas poucas tristezas.

Durante todo este tempo, a vontade de escrever era forte. Porém faltava tempo, faltava tranqüilidade para transcrever o que passava pela minha mente. Eu corria de um lado para o outro, de compromisso para compromisso, enquanto textos inteiros montavam-se na minha mente: no trânsito, no trabalho, no chuveiro ou momentos antes de dormir. As idéias surgiam, desenvolviam-se, estruturavam-se e morriam logo depois por não encontrarem um pedaço de papel, uma oportunidade de serem registradas.

 

No final de maio, encerrei minha participação na oitava montagem teatral. Esgotado, achei que era o momento de dar um tempo para mim, de fugir da correria insana na qual meus dias tinham se convertido, de aproveitar várias coisas da vida, era o momento de me permitir pequenos prazeres.

Um mês depois, no último dia de junho do ano de 2006, me encontro aqui, sentado na frente do meu computador escrevendo este texto. Talvez seja o primeiro de muitos. Talvez seja um filho único que irá morrer sem descendência. Neste exato momento eu não quero pensar nisso, não quero me preocupar com o futuro. Só quero me deleitar e aproveitar o prazer que tenho em ver as palavras surgirem à minha frente.

[ ver mensagens anteriores ]



Meu Perfil
BRASIL, Sudeste, SAO PAULO, BUTANTA, Homem, de 26 a 35 anos, Portuguese, English

 
Visitante número: